a grande paineira

Uma fotograia de família, por mais singela, jamais repousará no lugar do simplesmente, do tão-somente, pois toda fotograia de família é, em si, uma potência luminosa. Um lugar de aparição. Uma fantasmagoria.

Desfocando rostos, convocando palavras, criando fusões de corpos, a artista vai sobrevoando a grande paineira e enquanto a desgalha, também nela mergulha, num golpe abissal para mais tarde retornar à superície trazendo uma tipologia própria, a da desaparição.

Assombra da Grande Paineira,
texto de Fabiana Bruno

Uma árvore frondosa
como uma grande paineira
é símbolo de vida. Evoca também um ciclo, porque já não existe mais

nervuras 17.jpg

Uma libélula é símbolo
de transformação,
de alijamento de um peso,
de liberação

Nervuras Noturno

O tempo como crostas, frações e (e)vidências da vida. Um sismógrafo que desenha linhas curvas, trepidadas e elevados picos de uma intensidade colateral daqueles que são nossos episódios vitais. Essas linhas, marcadas e re-marcadas por um tempo-traço, são também a energia desse tempo, as nervuras temporais dos pequenos rituais de passagem da vida. Um tipo de engrama, uma marca orgânica deixada pelos acontecimentos sensíveis que nos afetam.

Uma ponte permite a passagem sobre um obstáculo a transpor
e pode nos levar a um conhecimento a ser revelado

Coberta de Musgo, Vestida de Pedra

Os lugares de nossa terra natal, segundo Bachelard, permanecem sempre como a morada principal de nossos devaneios de infância. Nesses devaneios, restituímos nossas solidões de criança e elas nos devolvem as solidões de hoje. Essas imagens são ecos de lembranças de um lugar de liberdade, lugar de solidões libertadoras, sonhos de abrigo e refúgio, um estado de alma.

40º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba-SP-2008
Prêmio Aquisitivo – Prefeitura Municipal 

Memórias

nos fios da minha história,
contada por mim,
acabo por parecer comigo mesma.
Alice Grou.